Antes de decidir o que fazer na Moldávia, vale conhecer o básico: é um país pequeno entre a Romênia e a Ucrânia, com capital em Chișinău. Não tem saída para o mar: o rio Prut forma a fronteira com a Romênia, e o Dniestre corre pelo leste do país. Sua história como Estado remonta ao Principado da Moldávia, fundado em 1359, e a república atual declarou independência em 27 de agosto de 1991. O nome oficial é República da Moldávia (em romeno, Republica Moldova): em português o país tem o mesmo nome do principado medieval, enquanto em inglês e em outras línguas ele é chamado de Moldova. A Moldávia é conhecida sobretudo pelo vinho: os vinhedos cobrem as colinas, e as maiores vinícolas guardam suas garrafas em galerias de calcário com dezenas de quilômetros de extensão.
A seguir, 13 pontos turísticos que mostram o melhor do país. Quatro ficam em Chișinău, três são adegas a menos de uma hora da capital, e os demais são mosteiros, um solar com ares de castelo e uma fortaleza medieval, todos acessíveis num bate-volta a partir de Chișinău. Os lugares estão agrupados por região, e no final você encontra roteiros prontos para 1, 2 e 3 dias. Horários e preços foram conferidos nos sites oficiais em 1º de novembro de 2026. As vinícolas mudam seus pacotes de uma temporada para outra, então confirme os detalhes ao fazer a reserva.
Antes de ir: transporte, dinheiro e estações
Como chegar.
O Aeroporto Internacional de Chișinău é o principal do país; em 2024 seu código mudou de KIV para RMO. O trólebus nº 30 liga o aeroporto ao centro da cidade, e há táxis esperando na saída do terminal.
Como se locomover.
O centro de Chișinău é fácil de percorrer a pé. Todo o resto desta lista fica fora da cidade, e o jeito mais simples de conhecer é de carro, de táxi ou num passeio de um dia saindo de Chișinău. Há micro-ônibus para Orhei, Soroca e outras cidades, mas eles não levam até as adegas e os mosteiros. As vinícolas só recebem visitantes com reserva antecipada.
Dinheiro e idioma.
A moeda é o leu moldávio (MDL). Cartões são amplamente aceitos em Chișinău e nas grandes vinícolas; leve dinheiro em espécie para as lojinhas de vilarejo e as velas dos mosteiros. A língua oficial é o romeno, e o russo é amplamente compreendido.
Quando ir.
Os meses mais agradáveis são maio, junho, setembro e outubro. No verão, o Dniestre e as florestas de Codri oferecem sombra e lugares para nadar. No outono começa a colheita da uva, e no primeiro fim de semana de outubro Chișinău realiza o Dia Nacional do Vinho: em 2026 ele aconteceu nos dias 3 e 4 de outubro, na Praça da Grande Assembleia Nacional. No inverno, os mosteiros e a cidade ficam tranquilos, enquanto as adegas mantêm a mesma temperatura o ano todo.
Transnístria.
A maior parte da margem esquerda do Dniestre, com a cidade de Tiraspol, e a cidade de Bender, na margem direita, são controladas desde 1990 por um governo separatista não reconhecido. Este artigo não trata dela; se você pretende ir para lá, consulte antes as orientações de viagem do seu governo.
Chișinău
4 locais

Parque Estêvão, o Grande, e o monumento
O parque mais antigo do país foi criado em 1818 e ocupa cerca de sete hectares bem no centro da cidade. Em uma de suas esquinas fica o monumento a Estêvão, o Grande, governante da Moldávia no século XV: é obra do escultor Alexandru Plămădeală e foi inaugurado em 1928. Durante a Segunda Guerra Mundial, a estátua foi levada para fora da cidade duas vezes, e nas duas voltou ao lugar. Dentro do parque, procure a Aleia dos Clássicos, com bustos de escritores de língua romena, e o busto de Púchkin de 1885, o mais antigo que se conserva na cidade.

Catedral da Natividade e Arco do Triunfo
Em frente ao parque, do outro lado do Bulevar Estêvão, o Grande, fica o Parque da Catedral, o principal conjunto arquitetônico da cidade. A Catedral Metropolitana da Natividade foi construída entre 1830 e 1836, com projeto do arquiteto Avraam Melnikov: um edifício quadrado com quatro pórticos idênticos de colunas dóricas. Na época soviética, funcionou como salão de exposições, e as missas foram retomadas nos anos 1990. O campanário ao lado foi demolido na década de 1960 e reconstruído em 1998. O Arco do Triunfo, diante da catedral, foi erguido por volta de 1840 para celebrar a vitória na Guerra Russo-Turca de 1828–1829. A praça em frente ao arco, a Praça da Grande Assembleia Nacional, é onde a cidade promove shows, feiras e o Dia Nacional do Vinho.

Museu Nacional de Etnografia e História Natural
O museu mais antigo da Moldávia nasceu de uma exposição agrícola e industrial realizada em 1889. O prédio na Rua Mihail Kogălniceanu, concluído em 1905 com projeto de Vladimir Țiganco, parece um palácio oriental e vale a visita até por fora. A exposição permanente, "Natureza. Ser humano. Cultura", vai dos fósseis e animais empalhados aos trajes camponeses, tapetes e artesanato rural; a peça mais famosa é o esqueleto de um deinotério, um parente pré-histórico do elefante encontrado na Moldávia. No pátio do museu há um pequeno jardim botânico com um vivário. Os sites oficiais não publicam os horários atuais, então confira antes de ir.

Casa-Museu de Púchkin
Aleksandr Púchkin chegou a Chișinău em setembro de 1820, aos 21 anos, exilado de São Petersburgo, e morou por alguns meses nesta casa térrea. O museu foi aberto em 1948. Nas salas pequenas estão expostos móveis e objetos decorativos da época, gravuras e pinturas, além de edições dos poemas que ele escreveu na Bessarábia. A visita leva cerca de meia hora e cabe fácil num passeio pelo centro.
Adegas nos arredores de Chișinău
3 locais
As três vinícolas só recebem visitantes com reserva, feita por telefone ou pelos sites. O passeio básico é uma caminhada ou um trajeto de veículo pelas galerias; os pacotes de degustação com comida custam mais. Crianças pagam tarifas à parte, e se anda muito num ar frio e úmido, então leve um casaco mesmo no verão.

Cricova
A cidade de Cricova fica a cerca de 15 quilômetros ao norte de Chișinău, e debaixo dela existe uma verdadeira cidade subterrânea. As galerias eram pedreiras do calcário usado na construção de Chișinău; em 1952 viraram adegas. Hoje elas se estendem por 120 quilômetros e chegam a 80 metros de profundidade, e as ruas têm nomes de vinhos: Cabernet, Fetească, Aligoté. A Coleção Nacional guardada ali, iniciada em 1954, reúne quase 1,3 milhão de garrafas. Cricova está na lista indicativa da Moldávia para o Patrimônio Mundial da UNESCO.

Mileștii Mici
Vinícola fundada em 1969, a cerca de 20 quilômetros ao sul de Chișinău. Em 2005, o Guinness World Records a registrou como a maior coleção de vinhos do mundo. As galerias, que segundo a vinícola passam de 200 quilômetros, são tão longas que os visitantes as percorrem de veículo, e não a pé. O passeio passa pela Coleção de Ouro, fileiras de garrafas de várias décadas, e termina num salão de degustação subterrâneo.

Castel Mimi
Vinícola no vilarejo de Bulboaca, a cerca de 40 quilômetros de Chișinău, fundada em 1893 por Constantin Mimi, vinicultor e político bessarábio. O longo prédio de pedra foi projetado no estilo de um château francês; depois de anos de abandono, foi restaurado e reaberto em 2016 e hoje abriga um hotel, restaurantes e um jardim à beira de um lago. Mesmo sem fazer o passeio, o pátio e o jardim são agradáveis para uma caminhada ao pôr do sol.
As florestas de Codri e Hîncești
2 locais

Mosteiro de Căpriana
Um dos mosteiros mais antigos da Moldávia fica na floresta de Codri, a cerca de 40 quilômetros a noroeste de Chișinău. Ele aparece pela primeira vez em documentos do início do século XV, quando se tornou mosteiro principesco sob Alexandre, o Bom, e governantes posteriores, entre eles Estêvão, o Grande, e Petru Rareș, o apoiaram. A Igreja da Dormição, de pedra, guarda o túmulo do metropolita Gavriil Bănulescu-Bodoni, o primeiro a propor a construção da catedral de Chișinău. O mosteiro foi fechado na época soviética e reaberto em 1989. A estrada entre as colinas e o bosque de carvalhos em volta do mosteiro já são parte do motivo para vir.

Solar de Manuc Bey em Hîncești
Uma propriedade na cidade de Hîncești, a sudoeste de Chișinău, que leva o nome de Manuc Bey, comerciante e diplomata armênio. Foi construída entre 1858 e 1861 por seus descendentes, depois da morte dele, no espírito do classicismo francês. O conjunto inclui o palácio, uma torre de vigia e um pavilhão de caça projetado pelo arquiteto Alexander Bernardazzi. A propriedade foi muito danificada na época soviética e restaurada entre 2013 e 2015 com apoio da UE. Hoje está aberta para visitas guiadas e exposições, e o pavilhão de caça abriga um museu de história e etnografia.
Ao longo do Răut e do Dniestre
3 locais

Orheiul Vechi
A paisagem mais famosa da Moldávia, a cerca de 45 minutos de carro de Chișinău. Ali o rio Răut faz uma curva fechada em torno de um promontório de calcário, e no paredão acima da água os monges escavaram um mosteiro rupestre. Ele continua ativo, e os visitantes passam por uma passagem estreita até uma igreja escavada na rocha. No alto da colina ficam uma igreja branca com campanário e uma cruz de pedra, e dali se avista todo o vale. Ao redor, arqueólogos descobriram as ruínas de uma cidade da Horda Dourada do século XIV e de casas de banho medievais. Abaixo do promontório fica o vilarejo de Butuceni, com casas antigas e pousadas onde dá para almoçar. A área é protegida como reserva cultural e natural de Orheiul Vechi, e a Moldávia busca para ela o título de Patrimônio Mundial da UNESCO. Reserve pelo menos três horas e use calçados confortáveis: as trilhas são íngremes e pedregosas.

Mosteiro de Țipova
Um mosteiro rupestre na margem direita do Dniestre, escavado num paredão a cerca de 90 metros acima do rio. Reúne três igrejas escavadas na rocha, dos séculos XI a XVIII, e mais de 20 celas, passagens e galerias. Segundo a tradição local, Estêvão, o Grande, se casou ali. Degraus de pedra descem até o mosteiro, e no caminho se passa pelas cachoeiras de Țipova, então a visita é metade caminhada na natureza. A descida e a subida de volta são íngremes: reserve umas duas horas e evite ir depois de chuvas fortes.

Mosteiro de Saharna
O Mosteiro da Santíssima Trindade fica num desfiladeiro verde perto do Dniestre, no mesmo distrito de Rezina que Țipova, e os dois costumam ser visitados no mesmo dia. É um dos locais de peregrinação mais visitados da Moldávia: a igreja guarda as relíquias de São Macário. Uma trilha sobe até uma rocha no paredão onde, segundo a lenda, um monge viu a Virgem Maria e encontrou a marca do pé dela na pedra. Ao longo do riacho Saharna, abaixo do mosteiro, há pequenas cachoeiras e uma trilha pelo desfiladeiro.
O norte: Soroca
1 local

Fortaleza de Soroca
O lugar mais distante da lista, na cidade de Soroca, às margens do Dniestre, a cerca de 160 quilômetros ao norte de Chișinău. Estêvão, o Grande, construiu ali um forte de madeira em 1499 para vigiar a travessia do rio, e entre 1543 e 1546 Petru Rareș o reconstruiu em pedra. A fortaleza é um círculo perfeito com cinco torres; as muralhas têm mais de três metros de espessura e 21 metros de altura. Ela foi restaurada com apoio da UE e está aberta à visitação. Já em Soroca, suba até a Vela da Gratidão, um monumento no penhasco acima da cidade com uma vista ampla do Dniestre, e passe pelas casas grandes e ornamentadas na colina onde moram muitas das famílias ciganas da cidade. Na estação fria, a fortaleza pode abrir só com agendamento, então confira antes de sair.
Aonde ir à noite em Chișinău
À noite, os moradores passeiam pelo Parque Estêvão, o Grande, pelo Parque da Catedral e pelo Bulevar Estêvão, o Grande. Os principais palcos da cidade são o Teatro Nacional de Ópera e Balé e a Sala do Órgão, ambos no Bulevar Estêvão, o Grande; as programações saem com algumas semanas de antecedência. O jeito mais fácil de provar vinho moldávio sem sair da cidade é um bar de vinhos no centro, onde dá para degustar em taça vinhos de pequenas vinícolas familiares.
O que fazer na Moldávia em 1, 2 e 3 dias
1 dia. Manhã em Chișinău: Parque Estêvão, o Grande, Parque da Catedral e Arco do Triunfo, depois o Museu de Etnografia. Depois do almoço, passeio por Cricova ou Mileștii Mici, reservado com antecedência. À noite, uma caminhada pelo centro.
2 dias, ou um fim de semana. O primeiro dia como acima. No segundo: Orheiul Vechi de manhã e o Mosteiro de Căpriana na volta, ou a Casa-Museu de Púchkin e uma noite no Castel Mimi.
3 dias. Acrescente uma viagem mais longa até o Dniestre: Saharna e Țipova num só dia, ou a Fortaleza de Soroca. Se estiver de carro, dá para combinar Hîncești e Mileștii Mici em meio dia.